Por: Mayara Leite – redatora Seo On
Política – Santa Catarina, um dos estados mais exportadores do Brasil aos Estados Unidos, está sentindo os efeitos do “tarifaço” imposto por Donald Trump. Em coletiva recente, o governador Jorginho Mello (PL) afirmou que o estado já havia se preparado com antecedência e que está monitorando os setores afetados para implementar apoio estratégico.
Alíquota de 50% atinge principais exportações catarinense
A tarifa americana de 50% sobre diversos produtos brasileiros entrou em vigor na última quarta-feira (6), gerando preocupação entre exportadores de SC. Segundo documentos, cerca de 872 empresas catarinenses exportam para os EUA, e setores como mobiliário, carnes suína e têxteis foram especialmente impactados.
Setores menos afetados, como madeira e móveis, estão sob análise da Seção 232, fila para receber tarifação menor ou suspensão temporária.
Santa Catarina prepara pacote de medidas emergenciais
O governo estadual informou que forma um grupo de trabalho com diversas secretarias (Fazenda, Indústria, Comércio, Agricultura, InvestSC etc.) e entidades como a Fiesc para mapear os impactos reais e definir ações de suporte.
Entre as medidas avaliadas estão:
- Aceleração da devolução de créditos de ICMS;
- Postergação de tributos;
- Linhas de crédito especial com juros subsidiados.
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Reações comerciais e expectativa de queda expressiva
Dados preliminares da Fiesc mostram que 69% das empresas exportadoras já registraram recuo nos pedidos mesmo antes do início formal da cobrança. Cerca de 54% suspenderam embarques, 38% renegociaram contratos e 18% adotaram férias coletivas. A maior parte dessas empresas projeta queda de faturamento superior a 30%, e 72% alertam sobre demissões nos próximos seis meses caso as tarifas permaneçam.
O setor industrial catarinense deve enfrentar uma retração estimada de R$ 1,7 bilhão no PIB, representando 0,31% de queda no desempenho estadual.
Estratégia política e alertas diplomáticos
Apesar da gravidade da medida econômica, lideranças políticas em SC, incluindo Jorginho Mello e parlamentares aliados, adotaram tom moderado. O governador afirmou que retirar mais setores da lista do tarifaço seria improvável no momento, e destacou a necessidade de cautela diplomática: “Podemos cobrar, mas não esticar a corda”.
Analistas citam que Santa Catarina, como reduto político conservador, optou por priorizar diálogo em vez de confrontação direta com o governo americano.
SC traça caminho: diversificação e resistência econômica
Como alternativa à dependência do mercado americano, 61% das exportadoras já buscam novos destinos na América Latina ou Ásia. No entanto, empreendedores alertam que alcançar isso em curto prazo será um desafio complexo
Fonte: Portal ND Mais





