Por: Mayara Leite – Redatora Seo On
Santa Catarina – O Ministério da Saúde, em parceria com a Fiocruz, iniciou nesta quinta-feira (26) a ampliação da liberação de mosquitos Aedes aegypti infectados com Wolbachia nos municípios de Joinville, Balneário Camboriú e Blumenau, em Santa Catarina. A cidade de Joinville, que já recebia os mosquitos desde 2024, passa a ter a cobertura expandida para novas regiões, alcançando cerca de 60% do território.
O investimento na ação é de aproximadamente R$ 5,2 milhões, e a liberação ocorrerá ao longo de 26 semanas, beneficiando diretamente mais de 400 mil moradores. A escolha das cidades segue critérios epidemiológicos, considerando casos elevados de dengue e presença do mosquito em áreas de risco.
Como funciona o método Wolbachia
O método utiliza mosquitos infectados com a bactéria Wolbachia, que não transmite doenças humanas e impede a reprodução dos vírus dentro do Aedes aegypti, reduzindo a transmissão de dengue, Zika e chikungunya. Quando liberados, os mosquitos se reproduzem com a população selvagem, formando novas gerações menos capazes de transmitir arboviroses.
A tecnologia é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e já foi adotada em 14 países, com resultados positivos comprovados. Em Niterói (RJ), por exemplo, houve redução de até 88,8% nos casos de dengue.
Impacto em Santa Catarina
Em 2025, os três municípios registraram 27.081 casos prováveis de dengue, com 17 mortes confirmadas e quatro em investigação. Apesar da queda de 92% nos casos em relação a 2024, a ampliação do método Wolbachia é considerada estratégica para prevenir epidemias e reduzir mortes futuras.
“O objetivo é reduzir a ocorrência de epidemias e evitar óbitos por dengue. A expansão será gradual e baseada em critérios técnicos, beneficiando cidades estratégicas com alta densidade populacional”, afirma Fabiano Pimenta, secretário adjunto de Vigilância em Saúde e Ambiente.
Estratégia integrada de combate às arboviroses
A implementação da Wolbachia complementa ações já existentes, incluindo prevenção, vigilância, controle vetorial, organização da rede assistencial, resposta a emergências e comunicação comunitária. A participação da população continua sendo essencial, mantendo cuidados tradicionais contra o Aedes aegypti em paralelo à tecnologia.
Além disso, o Brasil mantém a vacinação contra a dengue no SUS, com quase 10 milhões de doses distribuídas e previsão de produção nacional de 60 milhões de doses anuais pelo Instituto Butantan a partir de 2026.
A ampliação do método Wolbachia reforça a aposta em tecnologias avançadas de saúde pública, oferecendo maior proteção à população catarinense contra as arboviroses urbanas.
Fonte: Ministério da Saúde





