sexta-feira, março 6, 2026
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Vozes e Crônicas por Robson Ribeiro: Crônica – Quando o apito erra, o silêncio fala

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Expulsão do Plata em Flamengo x Estudiantes — Foto: André Durão/ge

Era para ter sido só mais um jogo de Libertadores — mas os pequenos gestos e as decisões em vermelho mostraram que, no futebol, nem tudo está escrito nos minutos finais ou nas estatísticas. Flamengo e Estudiantes já tinham disputado cada centímetro do Maracanã, cada chute, cada passe longo, cada defesa com suor no uniforme. Até que o árbitro viu vermelho. E aquele cartão mudou o que poderia ser só mais uma história de superação.

Gonzalo Plata acusou o golpe: foi expulso em um lance conturbado, onde, como tantas vezes acontece, o árbitro interpretou o contato de um modo e, o jogador, de outro. O VAR hesitou — e a torcida ressentiu. Do banco, do gramado, via de regra, apenas confusão. Para além do campo, um clube, uma instituição, milhares de corações acreditando que a justiça poderia prevalecer — mesmo que tardia.

E foi tarde, sim — mas não foi em vão. A Conmebol, diante da pressão — do olhar do público, de dirigentes, de imagens revisadas — admitiu o erro. O erro de interpretação, de julgamento precipitado, de decisões que extrapolam o talento de um atleta e afetam o resultado, a confiança, a esperança. Anulou a expulsão. Retirou a suspensão, devolveu a possibilidade: Plata estará em campo na volta. Não mais ausente por algo que, à luz do vídeo, pareceu injusto.

Mas, como costuma acontecer, a anulação não apaga o que já foi feito no momento. As filas de oração — ou de revolta — continuam. O histórico do Flamengo acusa: “não foi reparado o que se passou ontem no Maracanã”.   A bronca permanece, clara e alta.

Flamengo vê precedentes — casos antigos como o de Dedé, pelo Cruzeiro, que teve uma expulsão revertida após contestação formal — para fundamentar a sua queixa.   A vitrine dos clubes, o tribunal da imagem, a arena digital das redes: tudo pesa. E quando a autoridade máxima admite falhar, algo muda.

Que fique claro: este momento de reparação mostra como o futebol precisa urgentemente de arbítrios mais atentos, de VAR que atue sem medo, de juízes que aceitem que revisitar lances pode salvar mais que um jogo — pode salvar a credibilidade. Porque, em campo, prevalece quem erra menos, quem interpreta melhor, quem consegue manter o pulso firme. E fora dele, quem consegue admitir que a justiça também está nos detalhes invisíveis.

No fim das contas, Plata volta. O Flamengo respira um pouco mais aliviado. Mas o troféu da justiça nunca é totalmente conquistado — ele se disputa lance a lance, recurso a recurso, no eco de cada apito incorreto. E a torcida, sempre ela, permanece atenta. O futebol é feito de lances reversíveis, de emoções que pulsam além dos 90 minutos. A justiça esportiva deveria ser assim também: um jogo coletivo, onde todos — atletas, árbitros, reguladores — jogam limpo.

Fontes : GE e CNN

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