Por: Mayara Leite – Redatora Seo On
Saúde – Uma fábrica clandestina de bebidas alcoólicas, localizada em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, foi descoberta pela Polícia Civil nesta sexta-feira (10), responsável pela produção de bebidas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica. A investigação teve início após a confirmação da morte de duas pessoas por intoxicação, incluindo o empresário Ricardo Lopes Mira, de 54 anos, que faleceu quatro dias após consumir a bebida em um bar da Mooca, Zona Leste da capital.
Segundo a Polícia Civil, o local colocava etanol adulterado em bebidas, etanol comprado de postos de combustíveis, que em alguns casos continha até 45% de metanol, para aumentar o volume das bebidas e obter lucro. O material era utilizado na produção de vodca e gin falsificados, sendo distribuído a bares e estabelecimentos não autorizados.
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Investigações e perícia
Durante a operação, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão, apreendendo garrafas e materiais utilizados na produção clandestina. A perícia detectou presença de metanol em oito das nove garrafas analisadas, com níveis variando entre 14,6% e 45,1%, confirmando o alto risco à saúde. A proprietária da fábrica será presa em flagrante e poderá responder por falsificação e adulteração de produtos alimentícios, com pena de 4 a 8 anos de reclusão, além de multa.
O secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, afirmou que os suspeitos presos não têm ligação com facções criminosas, embora o etanol adulterado possa ter sido fornecido por organizações que lucram com combustíveis irregulares. Uma das linhas de investigação aponta que o metanol poderia ter sido usado para higienizar garrafas reaproveitadas, enquanto outra hipótese sugere a intenção de aumentar o volume da bebida sem conhecimento da contaminação.
Impactos e atenção à população
São Bernardo do Campo é considerado o epicentro da contaminação, com 48 casos em investigação e um confirmado até o momento. A polícia reforça a importância de não consumir bebidas de procedência duvidosa e alerta para o risco do metanol, que pode causar intoxicação grave e morte mesmo em pequenas quantidades.
A situação mobilizou autoridades estaduais e federais, incluindo a Polícia Federal e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que acompanha a investigação para descartar possíveis ligações com crimes organizados e origem do metanol em combustíveis fósseis.
O caso ressalta a necessidade de rigor na fiscalização de bebidas alcoólicas e conscientização da população sobre os riscos de consumir produtos fora de canais regulamentados.





