A Polícia Civil tem registrado um aumento significativo nos crimes de estelionato. Para se ter uma ideia, só em 2024, o Brasil registrou 2,17 milhões de casos de estelionatos, segundo o Portal da Câmara dos Deputados. Os golpes vêm sendo praticados com maior sofisticação, utilizando métodos de manipulação psicológica usados para enganar a vítima, explorando emoção, confiança, pressa ou medo, e uso indevido de informações pessoais. Para alertar a população, a Polícia Civil de Otacílio Costa detalha os principais golpes em circulação e reforça cuidados básicos de prevenção.
Golpe do Falso Advogado — “causa ganha, mas precisa pagar taxa”
Criminosos acessam informações reais de processos judiciais — nome, CPF, telefone e dados sensíveis — e se passam pelo advogado da vítima. Utilizam foto, nome e até número da OAB para conferir credibilidade.
A fraude ocorre quando o golpista informa que o processo foi “ganho” e que há valores liberados, condicionando o recebimento ao pagamento de supostas “taxas judiciais”.
Para convencer a vítima, usam prints adulterados, comprovantes falsos e pressão psicológica para que o pagamento seja feito “ainda hoje”.
Golpe do Falso Intermediário (OLX e plataformas de venda)
Um dos golpes mais sofisticados e recorrentes no município, especialmente envolvendo a venda de veículos.
1) Preparação:
O estelionatário copia um anúncio real e publica outro com preço muito abaixo do mercado. Em seguida, convence o vendedor legítimo a retirar o anúncio original.
2) Encontro:
Marca visita ao veículo dizendo ao comprador que um “parente do vendedor” estará no local. Ao mesmo tempo, diz ao vendedor que um “parente do comprador” fará a avaliação.
O objetivo é impedir que vítimas conversem entre si e percebam o golpe.
3) Pagamento:
O comprador, acreditando estar negociando com o dono do veículo, faz a transferência para a conta indicada pelo golpista.
Resultado: o vendedor não recebe, o comprador perde o dinheiro, e o criminoso desaparece.
Golpe da Sextorsão — chantagem após envio de fotos íntimas
O criminoso se passa por mulher, inicia conversa sedutora e solicita fotos íntimas. Após recebê-las, passa a chantagear a vítima, ameaçando divulgar as imagens.
Em outra versão, o golpista finge ser menor de idade e outro número entra em contato se passando por autoridade policial, ameaçando “prisão” caso não haja pagamento.
Com medo e constrangimento, muitas vítimas acabam transferindo valores elevados.
Golpe da “Compra Suspeita” — Falso Contato do Banco
Golpistas ligam ou enviam mensagens afirmando que identificaram uma compra suspeita no cartão da vítima. Criam clima de urgência e solicitam códigos de SMS, senha, dados do cartão ou instalação de aplicativos de acesso remoto.
Em algumas situações, pedem que a vítima entregue o cartão para um suposto funcionário ou “quebre o cartão” deixando o chip intacto — o que permite seu uso pelos criminosos.
Golpe da Clonagem de WhatsApp
Os criminosos enviam mensagens solicitando um “código de confirmação” enviado por SMS, alegando tratar-se de liberação de cadastro, benefício, encomenda ou atualização.
O código, na verdade, é a chave de verificação da própria conta do WhatsApp da vítima.
Após tomar o controle do aplicativo, o golpista utiliza foto, linguagem e contatos reais, pedindo dinheiro a familiares e amigos.
Golpe do Crédito Consignado e da Quitação Antecipada de empréstimo
Criminosos oferecem empréstimos consignados sem consulta ou quitação antecipada por valores muito baixos, exigindo o pagamento de “taxas” para liberação.
Em outra modalidade, depositam um empréstimo não solicitado na conta da vítima e, em seguida, exigem que ela devolva o valor via Pix — deixando-a endividada junto ao banco verdadeiro.
Também são comuns fraudes envolvendo portabilidade falsa, onde supostas financeiras prometem redução das parcelas mediante depósito antecipado.
Golpe do Falso Precatório
Golpistas enviam mensagens, e-mails ou cartas informando que a vítima teria valores a receber de um precatório.
Apresentam documentos falsos que imitam decisões judiciais e exigem pagamento de “taxas processuais”, “custas” ou “honorários” para liberação do valor.
Como a promessa envolve quantias altas, o golpe explora a expectativa e a honestidade das pessoas.
Cuidados Básicos Recomendados pela Polícia Civil
A Polícia Civil reforça que a principal arma dos criminosos é a engenharia social: técnicas que exploram emoções humanas, como confiança, pressa, medo, culpa e expectativa de ganho rápido.
Para reduzir riscos:
Desconfie de contatos inesperados, especialmente os que criam sensação de urgência.
Não forneça senhas, dados pessoais, códigos de SMS ou gravações de vídeo.
Desconfie de ofertas com valores muito baixos ou ganhos rápidos, pois estelionatários exploram justamente vantagens “imperdíveis” para atrair vítimas.
Nunca clique em links enviados por WhatsApp, SMS ou e-mail.
Antes de enviar dinheiro, confirme a identidade da pessoa por chamada de voz ou vídeo.
Em negociações online, evite intermediários e não realize pagamentos antecipados.
Idosos devem receber atenção redobrada, pois são alvo frequente dos golpistas.
Delegada ressalta a importância da prevenção:
A Delegada Gabriela da Silva afirma que a atenção da população é fundamental: “Os golpes se concretizam em poucos minutos porque os criminosos usam técnicas de convencimento muito rápidas. A atenção da população é essencial para evitar prejuízos. Os criminosos dominam técnicas de engenharia social — eles exploram a pressa, o medo, a culpa e, principalmente, a honestidade das pessoas. Muitas fraudes começam com mensagens que parecem legítimas, ou com ofertas de ganhos rápidos e desproporcionais em negociações, justamente para impedir que a vítima pare e desconfie. Por isso, a orientação é sempre a mesma: diante de qualquer proposta vantajosa demais, pedido inesperado de pagamento ou contato que gere urgência, desconfie, verifique e procure orientação policial antes de agir.”





