A nova edição da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada em 3 de dezembro de 2025 pelo IBGE, trouxe dados preocupantes sobre o desemprego entre jovens em Santa Catarina. Enquanto o estado tem um dos maiores percentuais de pessoas em trabalho formal no Brasil, surpreende a desigualdade nas taxas de desocupação entre faixas etárias — especialmente entre os jovens de 14 a 29 anos.
Desemprego juvenil em SC: uma taxa que chama atenção
Em 2024, a taxa de desemprego entre jovens de 14 a 29 anos em Santa Catarina foi de 5%, mais que o dobro da registrada entre adultos de 30 a 49 anos, que ficou em 2,1%, e dos trabalhadores com 50 anos ou mais, com 1,9%. Esta disparidade reforça um desafio estrutural da economia local: inserir os jovens no mercado formal de trabalho.
O problema é ainda mais agudo na capital do estado, Florianópolis, onde a taxa de desocupação dos jovens chega a 8,6%. Apesar disso, a taxa geral de desemprego na cidade foi de 3,6%, a menor entre as 27 capitais brasileiras.
Santa Catarina mantém alto índice de ocupação formal
Santa Catarina apresenta 3,42 milhões de pessoas empregadas formalmente em 2024, o maior percentual do país. Entre 2012 e 2024, o número de ocupados no estado cresceu 1 milhão, passando de 3,4 para 4,4 milhões. A taxa de ocupação geral alcançou 67%, posição que deixa o estado em segundo lugar entre as capitais brasileiras, logo atrás de Mato Grosso (68,3%) e acima da média nacional (58,6%).
Essa alta taxa mostra um mercado de trabalho robusto, ainda que com desafios para os jovens. A maior parte dos ocupados está na faixa dos 30 a 49 anos (50,3%), prova de uma possível maior estabilidade econômica para essa faixa etária.
Crescimento da participação dos idosos no mercado de trabalho
Outro destaque é o crescimento da participação dos idosos no mercado: o percentual de pessoas com 60 anos ou mais ocupadas dobrou desde 2012, passando de 3,9% para 6,4% em 2024. A maioria desses idosos trabalha por conta própria (39,8%), e seu rendimento médio mensal em Santa Catarina foi de R$ 3.977, acima da média nacional (R$ 3.561), mostrando que esta faixa etária busca se manter ativa economicamente.
Taxa histórica de desemprego baixa em SC
Santa Catarina registrou, em 2024, a segunda menor taxa de desemprego entre os estados brasileiros, com 3%. O recorde histórico foi em 2017, quando chegou a 7,4%. Em comparação, a média nacional de desemprego foi de 6,6% em 2024. A capital Florianópolis também se destacou, com a menor taxa entre as capitais, em 3,6%.
Carteira assinada: desafio e oportunidade para os jovens
O estado tem o maior percentual de trabalhadores com carteira assinada do país, atingindo 51,8% em 2024 — acima da média brasileira de 38,9%. Vale notar que, entre os jovens trabalhadores de 14 a 29 anos, 66% possuem carteira assinada, maior índice em comparação com as faixas etárias mais velhas (48,1% entre 30 e 59 anos e 23,2% para idosos).
Embora esse índice apresente uma boa notícia para a formalização do trabalho jovem, o fato de a taxa de desemprego juvenil ainda ser alta indica que há barreiras importantes para a entrada e permanência dos jovens no mercado formal.
Por que o desemprego jovem é um desafio persistente?
A discrepância entre as taxas de desemprego juvenil e adulto pode estar relacionada a vários fatores, como a falta de experiência, formação insuficiente para a demanda do mercado atual, e até mesmo questões estruturais econômicas como a automação de tarefas e a preferência por trabalhadores mais experientes em certos setores.
Além disso, os jovens estão mais vulneráveis a empregos informais e temporários, o que pode impactar a estabilidade financeira e a experiência adquirida para futuras oportunidades.
Qual o caminho para melhorar?
Políticas públicas focadas em capacitação profissional, programas de inserção no mercado de trabalho e incentivo à contratação jovem são estratégias essenciais. Na prática, empresas, governo e instituições educacionais precisam atuar em conjunto para que os jovens tenham melhores condições e acesso a trabalhos com carteira assinada, protegidos pela legislação e com bons salários.
Há uma grande oportunidade para Santa Catarina se tornar referência também na inclusão profissional jovem, aproveitando seu vigor econômico e índices de emprego formal para ampliar a equidade entre as faixas etárias.





