quinta-feira, março 5, 2026
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Manchas escuras na Lagoa da Conceição: ciclone em SC é o culpado

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Florianópolis, conhecida como a Ilha da Magia, guarda cartões-postais que encantam turistas e moradores. Mas e quando a beleza natural dá lugar a preocupações? Na última quinta-feira (11), manchas de espuma marrom voltaram a aparecer na Lagoa da Conceição, um dos pontos mais icônicos da cidade. O que chamou atenção foi a rapidez: isso aconteceu cerca de dois meses após um episódio similar, causado por microalgas. Agora, o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) aponta o dedo para um ciclone recente como grande responsável.

Você já parou para pensar como eventos climáticos podem bagunçar ecossistemas tão delicados quanto uma laguna urbana? Vamos destrinchar os fatos, baseados em análises oficiais, para entender o que rolou e o que fazer.

O que as manchas revelam sobre a Lagoa da Conceição

A Lagoa da Conceição não é só um espelho d’água paradisíaco – é um ecossistema complexo, com influência do mar e de nutrientes acumulados. As manchas escuras, descritas como espuma marrom, surgiram novamente após um período de calmaria relativa.

De acordo com o IMA, em nota oficial, o fenômeno tem “características semelhantes” ao diagnosticado no Relatório Técnico nº 1576/2025/IMA/CFI, de 15 de outubro de 2025. Naquele caso, a espuma veio de decomposição de biomassa mista, sem contaminação química artificial. Desta vez, análises preliminares da comunidade fitoplanctônica – ou seja, o conjunto de microalgas e plâncton na água – mostram uma população densa e diversa, com espécies marinhas e estuarinas misturadas. Isso indica intrusão de água do oceano na laguna.

A Prefeitura de Florianópolis já havia apontado, na semana passada, que ventos fortes revolveram a água, deslocando a espuma acumulada. Mas o IMA foi além: coletou amostras no local para análises detalhadas, confirmando que não se trata de poluição humana direta.

Ciclone em SC: o gatilho físico para o problema

Aqui entra o vilão climático. O IMA explica que a causa provável é a combinação de nível elevado de nutrientes na laguna com o forçamento físico recente causado pela passagem de um ciclone.

Em termos simples: ciclones trazem ventos intensos e empilhamento de água do mar para o interior da laguna. Isso gera turbulência e mistura profunda da água. Aliada à abundância de nutrientes – como nitrogênio e fósforo, vindos de esgotos, agricultura ou decomposição natural –, essa agitação libera tensoativos orgânicos. São substâncias naturais que estabilizam a espuma, criando aquelas manchas persistentes e escuras.

Lembra do episódio anterior? Há dois meses, um laudo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) atribuiu espumas semelhantes a proliferação de algas potencialmente nocivas (leia o laudo da UFSC aqui). Não é coincidência: condições eutróficas, ou seja, excesso de nutrientes, favorecem esses blooms algais. O ciclone só acelerou o processo, como um agitador gigante.

Na prática, isso significa que eventos extremos como ciclones – cada vez mais comuns com as mudanças climáticas – podem transformar lagunas costeiras em pontos de alerta ambiental. Estudos do Instituto Brasileiro de Oceanografia reforçam que intrusões oceânicas assim afetam dezenas de lagunas no Brasil.

Riscos à saúde e recomendações oficiais

Embora a espuma seja de origem biogênica (natural), o IMA é claro: evite banho ou contato direto com a água onde há acúmulo de espuma ou alteração de cor. Algumas microalgas podem produzir toxinas, irritando pele, olhos e vias respiratórias, especialmente em crianças e pessoas sensíveis.

Fonte: NSC Total

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