A operação noturna em Caracas, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, chocou o mundo e reacendeu debates sobre a política externa dos Estados Unidos. No segundo mandato de Donald Trump, essa ação não parece isolada. O que isso significa para outros países? Será que a retórica agressiva de Washington vai se transformar em medidas concretas? Vamos analisar os alvos potenciais, com base nas declarações recentes do republicano.
A “Doutrina Donroe” e a postura assertiva de Trump
Trump reinterpretou a histórica Doutrina Monroe, de 1823 – que defendia a supremacia americana no hemisfério ocidental –, batizando sua versão de “Doutrina Donroe”. Em poucas semanas de mandato, ele elevou o tom contra aliados e adversários, priorizando interesses estratégicos dos EUA.
Essa abordagem controversa vai além da Venezuela. Por quê? Porque Trump vê ameaças em rotas marítimas, narcotráfico e influência de rivais como Rússia e China. Mas até onde vai essa assertividade? Especialistas em relações internacionais, como os citados em análises do Council on Foreign Relations, alertam que ações unilaterais podem isolar os EUA diplomaticamente.
Groenlândia: Interesse estratégico no ártico
A Groenlândia já abriga a Base Espacial de Pituffik, sob controle americano, mas Trump quer mais. Ele destaca a ilha como vital para a segurança nacional, citando navios russos e chineses na região. Rica em terras raras e posicionada no Ártico, a Groenlândia ganha importância com o degelo, que abre novas rotas marítimas.
O primeiro-ministro local, Jens Frederik Nielsen, rebateu qualquer ideia de anexação como “fantasia”, exigindo respeito ao direito internacional. Na prática, isso significa negociações tensas: os EUA buscam recursos minerais essenciais para tecnologia, enquanto a Dinamarca, soberana da ilha, resiste. Você imaginaria uma compra forçada como no Alasca, em 1867?
Colômbia: De aliada a alvo por narcotráfico
Horas após a operação venezuelana, Trump mirou a Colômbia a bordo do Air Force One. Ele acusou o presidente Gustavo Petro de tolerar o narcotráfico e sugeriu que “uma operação contra o país parece boa”. Isso tensiona uma parceria histórica: Bogotá recebe bilhões em ajuda militar americana contra drogas há décadas.
Sanções impostas em outubro agravam o desgaste. Por que agora? Petro, de esquerda, prioriza negociações com guerrilhas, o que Trump vê como fraqueza. Na visão de analistas do Brookings Institution, isso pode levar a mais sanções ou intervenções, afetando a estabilidade andina.
Irã: Ameaças fora do hemisfério
Mesmo distante da “Doutrina Donroe”, o Irã entrou no foco. Trump alertou que uma repressão violenta aos protestos internos poderia provocar um “golpe muito forte” dos EUA. Isso segue ataques americanos a instalações nucleares iranianas no ano passado e um conflito de 12 dias com Israel.
Em encontro recente com Benjamin Netanyahu, o tema esquentou, alimentando especulações para 2026. O porquê é claro: Teerã ameaça aliados como Israel e o fluxo de petróleo. Como em 2020, com o assassinato de Soleimani, Trump usa pressão máxima – mas será que isso evita ou acelera um confronto maior?
México: Atritos na fronteira e simbolismos
O México permanece no centro das críticas, com Trump revivendo o muro fronteiriço de seu primeiro mandato. Recentemente, ele assinou ordem executiva renomeando o Golfo do México para “Golfo da América”, gesto simbólico de domínio.
Esses atritos giram em torno de imigração e comércio. Praticamente, isso pressiona o governo mexicano a intensificar controles na fronteira, sob pena de tarifas ou ações mais duras. Historiadores comparam ao “Destino Manifesto” do século XIX: expansão americana por “direito divino”?
Implicações globais e o que esperar em 2026
Esses episódios mostram um Trump mais ousado, priorizando supremacia hemisférica e contrapeso a rivais. Mas há riscos: isolamento de aliados na OEA e reações da ONU. Para o Brasil e América Latina, isso pode significar realinhamentos – neutros ou pró-EUA?





