Por: Mayara Leite – redatora Seo On
Notícias de Santa Catarina – Um caso ocorrido no pequeno município de Tigrinhos, no Extremo Oeste de Santa Catarina, voltou a ganhar destaque nesta semana após o julgamento da ex-vereadora envolvida em uma tragédia que resultou na morte de um idoso. Ela foi condenada a 14 anos, cinco meses e seis dias de prisão, em regime fechado, por extorsão com agravante — a vítima tinha mais de 60 anos. A decisão foi proferida na última segunda-feira (28), durante sessão do Tribunal do Júri realizada na comarca de Maravilha.
Os fatos ocorreram em fevereiro de 2022, quando a ré ainda ocupava um cargo público no município. Na ocasião, ela foi até a casa da vítima acompanhada de dois homens com o objetivo de cobrar valores referentes a aluguéis supostamente atrasados. A situação terminou de forma trágica: uma discussão se transformou em violência e o idoso acabou assassinado com disparos de arma de fogo.
Ré já havia sido condenada por ameaça e denunciação caluniosa
A ex-vereadora já havia sido julgada anteriormente pelo caso, sendo condenada em outubro de 2022 por ameaça e tentativa de denunciação caluniosa. Na época, a acusação envolvia também a participação dela no homicídio. No entanto, após recurso da defesa, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina anulou parcialmente a sentença, especificamente no que dizia respeito ao crime doloso contra a vida.
No novo julgamento, os jurados entenderam que ela não teve participação direta no assassinato, mas concordaram que houve tentativa de extorquir a vítima. Um dos homens que a acompanhava foi responsabilizado pelos disparos que mataram o idoso e condenado a 16 anos, nove meses e 15 dias de prisão em regime fechado. Já a ex-parlamentar teve a pena recalculada e responderá por extorsão qualificada. Ela poderá recorrer em liberdade.
Veja também: Segundo suspeito pela morte de agente comunitária em Morro da Fumaça é preso em Criciúma
Idoso vivia com companheira em imóvel já vendido
De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina, o idoso vivia com a companheira em uma casa localizada na linha Boa Esperança, zona rural de Tigrinhos. O imóvel já não pertencia mais à ex-vereadora, ela havia negociado o bem para quitar uma dívida com uma cooperativa de crédito. Mesmo assim, ela compareceu ao local para cobrar aluguéis atrasados, apresentando-se como proprietária.
O MP aponta que, no dia anterior à cobrança, a ré registrou de forma fraudulenta uma queixa na delegacia local alegando que estaria sendo ameaçada pelo idoso. No dia seguinte, foi até a propriedade com dois homens, e o confronto terminou em homicídio.
Justiça reconhece crime de extorsão contra idoso
A nova sentença reconhece que a ex-vereadora cometeu crime de extorsão, agravado pela condição de vulnerabilidade da vítima. Embora não tenha sido condenada por homicídio, a pena de mais de 14 anos reflete a gravidade das ações praticadas, que envolveram fraude, pressão e participação indireta em um cenário de violência extrema.
O caso continua a ser acompanhado por autoridades da região, e a condenação serve de alerta sobre o uso indevido de cargos públicos e a exploração de pessoas idosas em situações de vulnerabilidade no interior do estado.
Fonte: Ministério público.





