quinta-feira, março 5, 2026
spot_imgspot_imgspot_img
InícioEntretenimentoTrês Vidas: série perturbadora da Netflix

Três Vidas: série perturbadora da Netflix

PalmePalmePalmePalme
PalmePalmePalme

Por: Mayara Leite – redatora Seo On

Entretenimento – Separadas ao nascer, idênticas, misteriosamente vigiadas durante a infância e, depois de adultas, reunidas por acaso. A premissa da série “Três Vidas”, da Netflix, pode parecer pura ficção, mas tem raízes surpreendentemente reais, e muito mais sombrias. O caso dos trigêmeos Robert, Eddy e David abalou os Estados Unidos nos anos 1980 e ainda hoje levanta questionamentos éticos sobre os limites da ciência e da adoção.

A série policial e a conexão com a vida real

“Três Vidas” é uma série de suspense policial protagonizada por Maite Perroni, que interpreta três mulheres idênticas: Becca, uma detetive forense; Aleida, uma empresária assassinada; e Tamara, uma dançarina. À medida que Becca investiga o crime de Aleida, descobre não apenas que são gêmeas separadas ao nascer, mas também que existe uma terceira irmã. A série se desenrola com mistério e tensão, revelando segredos de uma separação forçada e de um passado escondido por interesses maiores.

Apesar do roteiro fictício, a história tem como base o chocante caso real dos trigêmeos americanos separados propositalmente para um experimento científico, sem que suas famílias soubessem.

A infância monitorada de três irmãos

Robert Shafran, David Kellman e Eddy Galland nasceram em 1961 e foram enviados a um orfanato em Nova York. Mesmo sendo irmãos biológicos, cada um foi entregue a uma família diferente. Nenhuma das famílias sabia da existência dos outros dois. Durante toda a infância, os três foram alvo de visitas frequentes de psicólogos, filmagens e questionários, como parte de um suposto acompanhamento de rotina. Mas a verdade era outra: eles estavam sendo monitorados como parte de uma pesquisa secreta sobre comportamento humano.

O reencontro que chocou os EUA

A reviravolta começou quando Robert entrou na faculdade e foi confundido com Eddy. Ao se encontrarem, ficaram chocados com a semelhança e, depois de uma matéria em um jornal local, David apareceu afirmando também ser idêntico aos dois. O reencontro dos trigêmeos virou notícia nacional. Os jovens passaram a dar entrevistas, desfilaram como modelos e até abriram um restaurante juntos. Tornaram-se celebridades instantâneas, mas o passado que os unia ainda estava envolto em silêncio.

O experimento que separou irmãos

A verdade começou a vir à tona nos anos 1990. Os meninos haviam sido separados propositalmente pela agência de adoção Louise Wise, que trabalhava com o Conselho Judaico de Serviços à Família e Crianças. A separação fazia parte de um estudo do psicanalista austríaco Peter Neubauer, que queria investigar como o ambiente familiar moldava a personalidade de crianças com genética idêntica.

O experimento foi mantido em segredo por décadas. As famílias nunca foram informadas, nem tiveram acesso aos dados completos. Em 1995, pouco antes da divulgação pública do caso, Eddy tirou a própria vida. Desde então, Robert e David decidiram se afastar da mídia.

Documentário, silêncio e legado

O caso dos trigêmeos foi retratado em detalhes no documentário Three Identical Strangers, indicado ao BAFTA e premiado no Festival de Sundance. Peter Neubauer morreu em 2008, sem jamais publicar oficialmente os resultados do estudo. Os registros da pesquisa estão lacrados na Universidade de Yale até 2065.

A história que inspirou a série “Três Vidas” é real e continua assombrando a ética científica, os direitos de crianças adotadas e o impacto psicológico de segredos guardados por instituições. Enquanto a série atrai audiência, a vida real dos trigêmeos lembra que nem toda ficção supera a brutalidade dos fatos.

Fonte: Portal Aventuras na História

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Most Popular

Recent Comments