Por: Mayara Leite – Redatora Seo On
Saúde – O Sistema Único de Saúde (SUS) deu um passo histórico ao anunciar a incorporação de uma vacina específica contra a bronquiolite, doença causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR). Pela primeira vez, a rede pública brasileira passa a oferecer um imunizante voltado para prevenir a infecção, que é uma das principais responsáveis por internações de bebês durante os meses mais frios.
Longa espera pela solução
O desenvolvimento de uma vacina eficaz contra o VSR é aguardado desde a década de 1960, quando uma primeira tentativa, baseada em vírus inativados, acabou trazendo riscos para crianças imunizadas. Agora, após décadas de pesquisas, duas novas tecnologias finalmente chegam ao Brasil e se somam ao esforço de reduzir hospitalizações e mortes.
Como funcionam as novas vacinas
A primeira inovação é a vacina bivalente, indicada para gestantes entre a 28ª e a 36ª semana de gravidez. Ao ser aplicada nesse período, ela transfere anticorpos pela placenta e garante proteção ao bebê durante os primeiros seis meses de vida, fase considerada mais vulnerável às complicações da bronquiolite.
Já o segundo avanço é o Nirsevimabe, um anticorpo monoclonal de aplicação única, que protege os pequenos por cinco meses consecutivos. A novidade substitui o Palivizumabe, que exigia doses mensais ao longo da temporada de maior circulação do vírus.
Resultados na América do Sul
O impacto dessas vacinas já pode ser medido em países vizinhos. No Chile, após a adoção do Nirsevimabe em 2024, não foram registrados óbitos por bronquiolite ligada ao VSR — contraste marcante em relação às 13 mortes do ano anterior.
Na Argentina, a estratégia escolhida foi a vacinação de gestantes, que também apresentou queda expressiva nos casos da doença, confirmando a eficácia da imunização indireta.
Importância para a saúde pública
Segundo especialistas, a chegada da vacina ao SUS representa um reforço fundamental para a saúde infantil. Além de proteger diretamente os bebês, a medida reduz a pressão sobre hospitais e contribui para a diminuição de complicações respiratórias graves.
O pneumologista Luiz Vicente Ribeiro, do Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas da USP, destacou que a incorporação é um divisor de águas: “Essa é uma vitória da ciência e da saúde pública. Finalmente temos ferramentas seguras e eficazes para proteger os mais vulneráveis”.
Fonte: Portal CNN





