Por: Mayara Leite – Redatora Seo On
Saúde – O câncer de pâncreas é uma das formas mais letais de câncer, em grande parte pela dificuldade de ser diagnosticado em estágios iniciais. Recentemente, a morte do cantor D’Angelo, pioneiro do neo-soul, aos 51 anos, trouxe novamente à tona a gravidade dessa doença. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), mais de 10 mil novos casos foram registrados no Brasil apenas em 2022.
O pâncreas é um órgão essencial localizado na parte superior do abdômen, responsável pela produção de sucos digestivos e da insulina, hormônio que regula os níveis de glicose no sangue. Quando células anormais começam a se multiplicar de forma descontrolada, forma-se um tumor maligno, que pode comprometer severamente o funcionamento do órgão.
Fatores de risco hereditários e ambientais
A doença pode estar relacionada a fatores hereditários e não hereditários. Apenas entre 10% e 15% dos casos têm origem genética, associada a mutações em genes como BRCA1, BRCA2 e PALB2, além de síndromes como Peutz-Jeghers e pancreatite hereditária.
Entretanto, a maior parte dos diagnósticos está ligada ao estilo de vida e à exposição a substâncias tóxicas. Entre os fatores de risco modificáveis estão o tabagismo, obesidade, diabetes, e pancreatite crônica não hereditária. Trabalhadores de áreas como indústria de petróleo, manutenção predial e agricultura também estão mais expostos a produtos químicos como agrotóxicos, cloreto de vinila e solventes, que elevam as chances de desenvolver a doença.
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Sintomas e diagnóstico tardio
Os sintomas do câncer de pâncreas costumam ser sutis e inespecíficos, o que contribui para diagnósticos tardios. Os principais sinais de alerta são:
- Icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos);
- Urina escura (semelhante à cor de chá-preto);
- Cansaço intenso, perda de apetite e emagrecimento repentino;
- Dor abdominal superior irradiando para as costas.
Muitas vezes, o diagnóstico ocorre apenas após a realização de exames de imagem, como tomografia, ultrassonografia endoscópica e ressonância magnética, ou pela biópsia que confirma a presença de células cancerígenas. O marcador tumoral Ca 19.9 também é utilizado como ferramenta auxiliar.
Tratamento e chances de cura
O tratamento depende do tipo e do estágio do tumor. A cirurgia é considerada o único método capaz de oferecer chance real de cura, porém é viável apenas em uma minoria dos casos, pois a maioria dos pacientes descobre a doença em estágios avançados. Além da cirurgia, podem ser indicados quimioterapia e radioterapia, conforme a avaliação médica.
Especialistas reforçam a importância da prevenção e da atenção aos sinais do corpo, especialmente para pessoas com histórico de câncer familiar ou expostas a fatores de risco conhecidos.
Fonte: Portal CNN





