O que a Receita Federal descobriu nos portos
Imagine toneladas de minério valioso saindo do Brasil rumo à China, mas sem a devida documentação e origem comprovada. Foi exatamente isso que a Receita Federal do Brasil impediu nos portos de Itapoá, em Santa Catarina, e Paranaguá, no Paraná. Ao todo, 457 toneladas de minério de cobre, distribuídas em 17 contêineres e avaliadas em R$ 2.138.319,26, foram apreendidas. O produto vinha de estados do Norte do Brasil e fazia parte de um esquema organizado para exportação ilícita.
A operação resultou de um trabalho interno de inteligência e análise de risco fiscal da Receita Federal. Não se trata de um caso isolado: as investigações revelaram um padrão criminoso que já havia sido flagrado em outros portos do país.
Como funcionava o esquema de contrabando de minério
As empresas envolvidas mudavam de porto sempre que a fiscalização apertava o cerco, burlando as unidades da Receita Federal de forma sucessiva. O truque? Ocultar a verdadeira origem do minério, usando documentos falsos ou indevidos. Sócios das exportadoras têm histórico de contravenções, como tentativas anteriores de exportar cobre ilegal, não comprovação da origem lícita dos recursos e até contrabando.
Na prática, essas “empresas” listadas como fornecedoras não passavam de fachadas. Elas não tinham atividades regulares, empregados registrados ou estrutura operacional real – tudo indicava que serviam apenas para dar aparência legal às cargas ilícitas. Por quê isso importa? Porque minérios de origem irregular muitas vezes vêm de garimpos clandestinos, prejudicando o meio ambiente e a economia formal.
Impactos para a economia e o comércio exterior brasileiro
Essas fraudes não afetam só os cofres públicos, com evasão de impostos e royalties. Elas distorcem o mercado global, onde o Brasil é um player importante no cobre, essencial para eletrônicos e energias renováveis. A Receita Federal reforçou, em nota oficial, seu compromisso em coibir práticas ilícitas, garantindo que o comércio exterior seja transparente e conforme a lei.
Os portos envolvidos foram contatados pelo NSC Total: o Porto de Itapoá optou por não se manifestar, enquanto o Porto de Paranaguá confirmou que a apreensão rolou no Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), mas o terminal não respondeu à reportagem. E agora? Operações como essa sinalizam que a fiscalização está mais afiada, mas quantos esquemas ainda escapam?
Fonte: NSC Total





