Resumo
A crise atinge Ituporanga, Atalanta, Chapadão do Lageado, Imbuia, Alfredo Wagner, Leoberto Leal e Lebon Régis. A desvalorização de 50% na receita local e o custo de produção de R$ 1,33 por quilo, superior ao valor de venda, motivaram decretos para renegociação de dívidas.
Sete municípios de Santa Catarina decretaram situação de emergência na última semana em razão da forte desvalorização no preço da cebola em SC. A medida, liderada pela capital nacional do produto, Ituporanga, foi acompanhada por cidades do Alto Vale, Grande Florianópolis e Meio-Oeste após o valor pago ao produtor cair pela metade em relação ao ano anterior.
Além de Ituporanga, as prefeituras de Atalanta, Chapadão do Lageado e Imbuia, no Alto Vale, Alfredo Wagner e Leoberto Leal, na Grande Florianópolis, e Lebon Régis, no Meio-Oeste, formalizaram os decretos. Segundo o NSC Total, os textos ressaltam que a economia local depende da produção e que a rentabilidade dos agricultores familiares está gravemente atingida.
Impacto na economia regional e custos de produção
Com a oficialização da emergência, os governos municipais podem adotar medidas para auxiliar os produtores. As ações incluem a reavaliação de prazos, auxílio na obtenção de linhas de crédito e suporte na negociação de dívidas agrícolas para equilibrar as contas das propriedades rurais.
Um levantamento técnico detalhou que o custo médio de produção, que envolve mudas, defensivos, máquinas e mão de obra, alcança R$ 1,33 por quilo. Na safra anterior, o valor obtido pelo agricultor catarinense já apresentava defasagem, ficando em torno de R$ 1,20.
O engenheiro agrônomo de Ituporanga, Volmir Borssatto, explica que o cenário ideal seria de R$ 2 o quilo para cobrir custos e permitir investimentos. A última vez que a cotação atingiu esse patamar foi na safra 2023/2024.
- Custo médio de produção: R$ 1,33 por quilo.
- Preço pago na última safra: R$ 1,20 por quilo.
- Preço ideal para rentabilidade: R$ 2,00 por quilo.
Projeções e concorrência com o mercado externo
A diferença de valores impacta diretamente a circulação de riqueza. Borssatto exemplifica que o preço de R$ 2 geraria uma arrecadação entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões para a região. Com a cotação atual, o montante cai para cerca de R$ 100 milhões.
Em Ituporanga, a colheita deste ano somou 158 mil toneladas do alimento. Produtores com capacidade de armazenamento tentam aguardar uma reação do mercado, mas o tempo de espera é limitado por fatores sazonais e pela entrada de produtos estrangeiros.
A partir de março, a cebola vinda da Argentina começa a entrar no mercado brasileiro. Embora o baixo preço nacional desestimule importações em larga escala, a concorrência externa é vista como mais um fator de pressão sobre o setor produtivo catarinense.





