Resumo
O recorde histórico de precipitação em Juiz de Fora mobiliza auxílio federal de R$ 800 por desabrigado e envio da Força Nacional do SUS. A prioridade atual é o resgate em áreas soterradas, com previsão de mais cinco dias de buscas sob novas tempestades.
Sob um céu que parece não ter fim, a Zona da Mata mineira amanheceu mergulhada em luto e lama. O que era esperança de chuva para o campo transformou-se em um cenário de devastação absoluta. Na manhã desta quarta-feira (25), o Corpo de Bombeiros confirmou que a tragédia das chuvas em Minas Gerais já ceifou 36 vidas, sendo 30 em Juiz de Fora e seis em Ubá.
As histórias de perda se multiplicam a cada metro de escombro removido. Em Juiz de Fora, o desespero de famílias inteiras se concentra nos 31 desaparecidos, enquanto em Ubá, outras duas pessoas seguem sendo procuradas. Em meio ao caos, um sopro de vida: 208 pessoas foram resgatadas com vida das garras das enchentes e deslizamentos.
O cenário de devastação em Juiz de Fora e Ubá
Juiz de Fora vive seu momento mais crítico. Com um acumulado de 584 milímetros, este fevereiro tornou-se o mês mais chuvoso da história do município, registrando mais que o dobro do volume esperado. A força das águas desalojou e desabrigou mais de 3,5 mil pessoas, transformando ginásios e escolas em refúgios de dor e incerteza. A Defesa Civil municipal já contabiliza 772 ocorrências.
Em Ubá, a fúria da natureza foi avassaladora. Em apenas três horas e meia, 170 milímetros de chuva caíram sobre a cidade, elevando o Rio Ubá à marca assustadora de 7,82 metros, arrastando sonhos e memórias pelas ruas inundadas.
O esforço incansável das equipes de resgate
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, esteve em Juiz de Fora nesta manhã e reafirmou o compromisso com o suporte humanitário. Em entrevista à Rádio Nacional, no programa Alô, Alô, Brasil, ele descreveu a dureza do trabalho de campo:
- “Esta madrugada, seis vítimas foram localizadas. A previsão é que o trabalho dos bombeiros ainda deve durar até cinco dias. Há muito escombro, muita lama para ser removida”, afirmou o governador.
Apoio humanitário e recursos federais
Diante da calamidade, o governo federal anunciou o repasse de R$ 800 por cada pessoa desabrigada na região. O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, destacou que os recursos visam a compra de itens básicos como colchões e mantimentos. “Nós temos centenas de pessoas desabrigadas, aí [este recurso] é para a prefeitura apoiar”, declarou Alckmin no Palácio do Planalto.
A ajuda técnica também chegou com o deslocamento da Força Nacional do SUS e de especialistas do Grupo de Apoio a Desastres (Gade). Médicos, psicólogos e enfermeiros agora formam uma rede de amparo para os sobreviventes que perderam tudo, menos a vida.
O alerta que não cessa
O perigo, infelizmente, ainda ronda as montanhas mineiras. A Defesa Civil estadual emitiu um novo alerta para esta quarta-feira (25). São esperadas tempestades com rajadas de vento superiores a 70 km/h e possibilidade de granizo. O solo encharcado eleva o risco de novos deslizamentos, mantendo a região em estado de vigilância máxima e oração.





