Resumo
O Brasil consolidou-se como o segundo país que mais pesquisa por Ozempic e Mounjaro no mundo. Especialistas alertam que o uso dessas substâncias sem o devido planejamento alimentar pode acarretar deficiências nutricionais graves, perda de massa muscular e efeitos estéticos adversos, tornando o acompanhamento profissional indispensável para a manutenção da saúde.
Interesse recorde e os riscos da perda de peso acelerada
O Brasil atingiu a marca de segundo colocado no ranking global de buscas pelos medicamentos Ozempic e Mounjaro. Os dados, compilados pela plataforma de telemedicina Conexa Saúde com base em registros de meados de 2025, revelam uma busca massiva pelas chamadas “canetas emagrecedoras”. Originalmente indicados para diabetes tipo 2 e obesidade, esses fármacos tornaram-se fenômenos de procura por quem deseja reduzir medidas rapidamente.
Entretanto, a eficácia na redução do apetite traz consigo um alerta crítico para a saúde pública. Como o desejo de comer diminui drasticamente, muitos usuários deixam de ingerir nutrientes vitais para o funcionamento do corpo. Segundo informações veiculadas pelo portal CNN Brasil, esse déficit pode resultar em fadiga crônica, queda de cabelo e na perda de tônus muscular. Nas redes sociais, o fenômeno da flacidez facial acentuada ganhou até nome próprio: “rosto de Ozempic”.
A importância do suporte nutricional e suplementação
A nutricionista Sandra Regina Garcia, da Soldiers Nutrition, enfatiza que o uso desses medicamentos exige um planejamento rigoroso. Sem uma dieta equilibrada e a prática de exercícios, o organismo sofre danos que vão além da balança. A especialista explica que a medicação auxilia o processo, mas não substitui a necessidade de proteínas e vitaminas que sustentam a estrutura física e metabólica do paciente.
Para mitigar esses impactos, a suplementação costuma ser uma aliada recomendada por profissionais. O uso de creatina e whey protein ajuda a preservar a massa magra e evitar a flacidez, enquanto o ômega-3 atua no controle inflamatório durante o emagrecimento. Além disso, multivitamínicos e a coenzima Q10 são citados como essenciais para repor lacunas deixadas pela baixa ingestão alimentar, mantendo a imunidade e a disposição física em dia.
Efeitos colaterais e perigos da automedicação
O tratamento não está livre de desconfortos e riscos. Sintomas gastrointestinais como náuseas, constipação e episódios de diarreia são comuns, especialmente nas semanas iniciais de adaptação. Sandra Garcia adverte que o uso de estimulantes ou termogênicos em conjunto com as canetas pode potencializar efeitos adversos, como taquicardia e ansiedade, exigindo cautela extrema e avaliação individualizada.
Por fim, especialistas reforçam que a utilização desses fármacos apenas por motivos estéticos, sem mudança de estilo de vida, é um caminho perigoso para o efeito sanfona. Sem a reeducação alimentar e o monitoramento de níveis de vitaminas lipossolúveis (como A e D), o risco de recuperar o peso perdido — e comprometer o metabolismo permanentemente — torna-se uma ameaça real para os pacientes que ignoram a orientação médica.




