Resumo
O novo plano foca na reabilitação do crédito imediato para famílias de baixa renda. Especialistas alertam que a medida consome reservas de segurança do trabalhador e ignora o déficit primário, enquanto os juros nominais seguem como principais vetores do crescimento do endividamento nacional.
O Palácio do Planalto articula, nesta segunda-feira (20 de abril de 2026), a criação do programa Desenrola 2.0. A proposta prevê a utilização de R$ 17 bilhões do FGTS para tentar retirar 81 milhões de brasileiros da inadimplência. O movimento ocorre no momento em que a dívida pública bruta do Brasil ultrapassa a marca de 78% do PIB, expondo o desafio do governo em equilibrar o estímulo ao crédito com o controle das contas federais.
Cenário fiscal e projeções da dívida pública
De acordo com dados do Banco Central, a expansão do endividamento em 2025 foi impulsionada majoritariamente pelos juros nominais. Segundo o Tesouro Nacional, a trajetória atual indica que a dívida pública pode atingir 83,6% do PIB até o fechamento de 2026. Segundo o portal NSC Total, o impasse atual reside na divergência entre o Ministério da Fazenda e analistas de mercado.
Enquanto o governo associa o custo da dívida à taxa Selic, especialistas apontam que a manutenção de juros elevados é um reflexo da ausência de controle sobre despesas obrigatórias. Sem a geração de superávit primário para reduzir o estoque da dívida, a confiança de investidores permanece pressionada, dificultando a convergência da inflação.
Regras do Desenrola 2.0 e uso do FGTS
A medida foca em trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos. O plano permite que o saldo do FGTS seja utilizado para liquidar débitos de cartão de crédito e cheque especial com descontos agressivos. Embora a ação vise devolver o poder de consumo às famílias, a estratégia sofre contestações técnicas no setor econômico.
- Público-alvo: Trabalhadores com renda até 5 salários mínimos;
- Recursos: R$ 17 bilhões provenientes do FGTS;
- Alcance: Estimativa de 81 milhões de beneficiados;
- Foco: Dívidas de consumo, cartão de crédito e cheque especial.
Análise técnica e riscos estruturais
Em entrevista à CNN, a economista Juliana Inhasz, do Insper, afirmou que “utilizar o saldo do fundo para pagar contas de consumo reduz a reserva de segurança do trabalhador”. Além do risco individual, há um alerta sobre a possível redução de recursos destinados ao financiamento habitacional no país.
Para Fabio Giambiagi, analista da FGV, o governo tem priorizado medidas de impacto imediato em detrimento de reformas que enfrentem o crescimento das despesas fixas, como previdência e pessoal. O déficit primário registrado em 2025 reforça a tese de que o nível de gasto estatal segue superior à arrecadação, mantendo o desequilíbrio fiscal de longo prazo no centro do debate econômico.



