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Os perigos e o efeito rebote do uso excessivo de descongestionante nasal

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Resumo

O uso de descongestionante nasal por mais de cinco dias pode gerar rinite medicamentosa e dependência física. O tratamento para reverter o quadro inclui o desmame orientado, uso de corticoides intranasais e lavagem com solução salina para restaurar a mucosa nasal.

Entenda o risco da rinite medicamentosa

O uso indiscriminado de sprays para aliviar o nariz entupido em crises de gripe ou rinite pode transformar um desconforto passageiro em uma dependência severa. Segundo o otorrinolaringologista Luiz Henrique Barbosa, da Clínica AMO, em Salvador, o organismo passa a responder cada vez menos ao remédio com o uso contínuo.

“O principal risco do uso excessivo é a rinite medicamentosa, uma condição caracterizada por congestão nasal crônica de rebote que piora progressivamente com o uso contínuo do medicamento”, explica o especialista em entrevista ao portal Metrópoles.

Os descongestionantes provocam uma vasoconstrição temporária na mucosa, reduzindo o inchaço. No entanto, com a repetição frequente, o efeito dura menos tempo e o nariz volta a entupir com maior intensidade, criando um ciclo vicioso.

Prazos de segurança e sinais de alerta

O otorrinolaringologista André Neri, do Hospital Santa Marta, em Brasília, afirma que a dependência muitas vezes é percebida quando o paciente passa a carregar o produto em todos os lugares, como bolsas e carros. De acordo com Luiz Henrique Barbosa, entidades internacionais orientam limitar o uso contínuo entre três e cinco dias.

Na prática clínica, Neri observa que o limite de segurança pode ser um pouco maior, mas ainda restrito. “Seguramente pode-se usar por até 10 dias, no máximo 14 dias. Mais do que isso, provavelmente o paciente começa a ter uma dependência maior e fica mais difícil fazer o desmame”, esclarece.

Os principais sinais de alerta para a dependência incluem:

  • Necessidade constante de aplicação do spray;
  • Redução drástica no tempo de alívio após o uso;
  • Sensação de nariz permanentemente obstruído sem o medicamento.

Alternativas e o processo de desmame

Para quem já enfrenta a rinite medicamentosa, a interrupção do uso deve ser feita com auxílio médico para minimizar o desconforto. O tratamento geralmente envolve a substituição do descongestionante nasal por corticoides intranasais, antialérgicos e lavagem nasal com solução salina ou soro fisiológico.

André Neri ressalta que a automedicação retarda a identificação de problemas estruturais ou alérgicos. “Existe a figura do otorrino para estudar cada caso e entender a causa dessa obstrução, seja rinite, alergia ou até necessidade de cirurgia”, conclui.

Embora a interrupção do spray cause desconforto nos primeiros dias, ela é considerada fundamental por especialistas para recuperar a função natural da respiração e evitar complicações crônicas na mucosa nasal.

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