Por: Mayara Leite – Redatora Seo On
Saúde – O câncer de pele é o tipo mais frequente no Brasil e no mundo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), somente no triênio 2023-2025 devem ser registrados 704 mil novos casos no país. Apesar da alta incidência, a demora no diagnóstico ainda compromete o início do tratamento e diminui as chances de cura. Nesse cenário, a inteligência artificial surge como uma ferramenta promissora para detectar a doença de forma mais precoce.
Atraso no diagnóstico
De acordo com especialistas, o atraso ocorre por diferentes fatores, como a falta de informação da população, idade avançada dos pacientes e a ausência de dor em muitas lesões. A limitação no acesso a consultas também é um obstáculo. Em alguns estados, pacientes chegam a esperar meses pela primeira avaliação com dermatologista no Sistema Único de Saúde (SUS).
A dermatologista Gisele Rezze alerta que a demora tem impacto direto: “O diagnóstico tardio aumenta o número de casos em estágios avançados, elevando os custos e o risco de morte.”
Como a IA pode ajudar
Estudos apontam que algoritmos de visão computacional conseguem identificar lesões suspeitas com desempenho comparável ao de especialistas. Um aplicativo desenvolvido pela startup brasileira AI Pathology alcançou 93% de acurácia, segundo o CEO Willian Boelcke. A ferramenta analisa imagens feitas por smartphones e auxilia na triagem, permitindo que casos mais urgentes sejam priorizados.
Além de agilizar o atendimento, o sistema já demonstrou impacto econômico. Em Goiânia, o Instituto do Câncer de Pele registrou economia de mais de R$ 3 milhões em quatro meses, ao evitar diagnósticos tardios que exigiriam tratamentos mais caros.
Limites e desafios
Médicos ressaltam que a tecnologia não substitui a avaliação clínica. O dermatologista Athos Martini explica: “Nenhuma IA tem 100% de acurácia. Ela deve atuar como apoio ao médico, nunca de forma isolada.”
A ferramenta aguarda aprovação da Anvisa para uso em larga escala e também será submetida ao FDA, nos Estados Unidos. Especialistas defendem regulamentação clara para definir responsabilidades e garantir segurança dos dados dos pacientes.
Fonte: Portal CNN



