Resumo
As canetas emagrecedoras são indicadas para pacientes com IMC acima de 30 ou 27 com comorbidades. O tratamento exige mudança de hábitos para evitar o reganho de peso. Em Santa Catarina, o PL/0766/2025 avalia a distribuição gratuita dessas substâncias pelo SUS para casos graves.
Uso de fármacos injetáveis exige critério médico
O avanço no uso das chamadas “canetas emagrecedoras” e a discussão sobre a possível oferta desses medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Santa Catarina colocaram o tema no centro do debate público nesta quarta-feira, 1º de abril de 2026. Embora populares, substâncias como semaglutida e tirzepatida geram dúvidas sobre segurança e eficácia a longo prazo.
Segundo o portal NSC Total, o especialista em Fisiologia Endócrina, Alex Rafacho, esclarece que esses medicamentos não devem ser usados de forma indiscriminada. “Definitivamente não. Medicamentos como a semaglutida (Ozempic) e a tirzepatida (Mounjaro) foram desenvolvidos com indicação adjuvante, ou seja, complementar à dieta e ao exercício físico”, afirma o especialista. A indicação clínica é restrita a pacientes com IMC maior que 30 kg/m² ou acima de 27 kg/m² quando há comorbidades associadas, como hipertensão.
Riscos de interrupção e efeitos colaterais
Um dos maiores alertas dos especialistas diz respeito ao efeito rebote após a suspensão do fármaco. Rafacho explica que “há uma grande chance de que isso ocorra”, pois a medicação atua na redução do apetite e no processamento gástrico, mas não cura a obesidade, que é uma doença crônica. Sem mudanças no estilo de vida, o peso perdido — que inclui massa muscular — tende a ser recuperado.
Os efeitos colaterais mais frequentes são de ordem gastrointestinal, incluindo:
- Náuseas e vômitos;
- Diarreia ou constipação;
- Sensação de estufamento.
“Estas medicações não podem ser aplicadas sem acompanhamento médico. Recomendo, inclusive, que optem por endocrinologistas por serem os mais indicados neste caso”, reforça Rafacho. O especialista destaca ainda que o uso é contraindicado para gestantes e pessoas com histórico de carcinoma medular de tireoide.
Custos e o debate legislativo em Santa Catarina
O acesso ao tratamento ainda esbarra no alto custo financeiro. De acordo com o levantamento técnico, a semaglutida (Ozempic) varia entre R$ 900 e R$ 1.500 mensais na dose inicial. Já a tirzepatida (Mounjaro) pode custar de R$ 1.400 a R$ 2.400 por mês, dependendo da posologia.
Diante desse cenário, tramita na Assembleia Legislativa de Santa Catarina o PL/0766/2025. O projeto prevê a criação de uma política estadual para a distribuição gratuita de canetas emagrecedoras para o tratamento de casos graves da doença. No dia 3 de março, o texto teve um pedido de vistas na Comissão de Finanças e Tributação e segue em análise, sem data definida para nova votação.



