Resumo
A Prefeitura de Florianópolis confirmou o desconto salarial dos servidores em greve entre os dias 23 e 28 de maio. O impasse envolve divergências sobre o piso da enfermagem e condições na educação, enquanto o município aponta baixa adesão e salários acima da média nacional.
Servidores municipais que acumularem faltas injustificadas durante a paralisação terão descontos no salário, conforme informou a Prefeitura de Florianópolis nesta segunda-feira (27). Segundo o portal ND Mais, a medida é válida para os dias de ausência registrados desde o início da mobilização, na quinta-feira (23), até esta terça-feira (28), impactando diretamente o funcionamento de escolas e unidades de saúde.
Posicionamento da gestão municipal
O prefeito Topázio Neto justificou a aplicação da medida como uma forma de reconhecimento aos profissionais que não aderiram ao movimento. “Esse desconto é nosso compromisso com todos aqueles que seguem trabalhando, os mais de 70% dos professores e 80% dos profissionais de saúde que estão garantindo a continuidade dos serviços à população”, afirmou o gestor.
De acordo com a administração municipal, ao menos cinco reuniões foram conduzidas com representantes da categoria antes do início da greve. O prefeito condicionou o avanço das tratativas ao fim da paralisação. “Queremos retomar imediatamente as negociações, desde que os profissionais voltem às suas atividades regulares”, destacou Topázio.
Divergências sobre o piso salarial
A gestão sustenta que não há justificativa técnica para a continuidade do movimento, citando que os valores pagos em Florianópolis superam os pisos nacionais. Segundo a prefeitura, enfermeiros da rede municipal recebem cerca de R$ 10 mil, enquanto o piso nacional da categoria é de R$ 4.750. No caso dos técnicos de enfermagem, o vencimento mínimo é de R$ 4,3 mil, acima do piso federal de R$ 3,2 mil.
Topázio Neto criticou a postura do sindicato, classificando a mobilização como política. “Para que possamos avançar, precisamos que ambos os lados estejam comprometidos, o que não demonstra o Sindicato em mais uma paralisação com clara motivação política”, argumentou o prefeito, completando que o município já cumpre integralmente o piso nacional da enfermagem.
Reivindicações do Sintrasem
A greve dos servidores em Florianópolis ocorre após a categoria rejeitar a proposta da prefeitura durante as negociações da data-base. O Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis) afirma que não houve progressos em pautas centrais, como:
- Falta de proposta para cumprimento da legislação federal sobre auxiliares de sala;
- Manutenção de portarias que impactam a Educação;
- Definição sobre a recomposição salarial de técnicos de enfermagem;
- Piso para Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias;
- Realização de novos concursos públicos e chamamento de aprovados;
- Redução de terceirizações e defesa da previdência pública.
O sindicato alega que as negociações foram encerradas pela prefeitura sem a apresentação de novas alternativas para os pontos citados, o que motivou a continuidade da greve.



