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Otacílio Costa e a coragem de reinventar a própria terra

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Aos 44 anos, Otacílio Costa já não é apenas uma cidade moldada pelo cheiro da madeira, pelo ronco dos caminhões ou pela fumaça das antigas caldeiras de papel. A terra que nasceu no coração da Serra Catarinense parece viver agora um novo capítulo de sua própria identidade — um tempo em que o verde das florestas divide espaço com o dourado das lavouras que avançam horizonte adentro.

A reflexão nasce da rica matéria escrita pelo advogado e historiador João Carlos Matias, publicada no jornal Correio Otaciliense, que retrata a transformação econômica e histórica do município ao longo das últimas décadas.

Durante décadas, repetiu-se quase como sentença a velha frase: “Aqui não adianta plantar”. Era uma herança passada de geração em geração, como se o solo serrano tivesse sido condenado apenas ao campo de pasto, ao pinus e ao eucalipto. Mas a história, vez ou outra, gosta de desafiar certezas antigas. E Otacílio Costa decidiu desafiar.

Hoje, máquinas cruzam áreas onde antes só havia campo bruto. A soja ocupa milhares de hectares. Caminhões carregados seguem rumo às cooperativas. A terra responde com fartura. E aquilo que parecia improvável transforma-se em realidade diante dos olhos de quem sempre viveu aqui.

Talvez o mais bonito dessa transformação não esteja apenas nos números impressionantes da produção agrícola ou na expansão econômica. O mais simbólico seja perceber que o município aprendeu a crescer sem negar suas raízes. A madeira continua contando parte da história. O papel segue sustentando empregos e movimentando a economia. Mas agora há espaço para novos sonhos plantados no mesmo chão.

Otacílio Costa se reinventa sem deixar de ser quem é.

E isso também explica a força de sua gente. Porque esta cidade nasceu do tropeirismo, venceu o isolamento, enfrentou estradas precárias, construiu indústrias em meio às araucárias e transformou dificuldades em oportunidades. Há uma característica silenciosa no povo serrano: a capacidade de resistir até que o impossível vire rotina.

O município que um dia foi “Casa Branca”, uma pequena parada no meio do caminho, tornou-se referência industrial, agrícola e logística no coração de Santa Catarina. E talvez seja justamente essa mistura que faça de Otacílio Costa um retrato tão fiel do interior catarinense: trabalho duro, visão de futuro e orgulho das próprias origens.

Aos 44 anos, Otacílio Costa não celebra apenas sua emancipação política. Celebra a coragem de mudar. Celebra o agricultor que acreditou na terra. O caminhoneiro que ajudou a construir sua economia. O trabalhador da indústria. O empreendedor que chegou de fora e decidiu ficar. Celebra, acima de tudo, a capacidade de olhar para frente sem esquecer os passos que ficaram para trás.

Porque algumas cidades crescem apenas no mapa.

Outras crescem na história.

E Otacílio Costa, definitivamente, escolheu crescer nos dois.

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